Financiamento de Máquinas e Equipamentos: Santander, BNDES ou Sicredi?
⚠️ Este conteúdo é educacional e informativo. Não constitui aconselhamento financeiro personalizado.
Índice do artigo:
- Por Que Investir em Máquinas e Equipamentos Pesados Vale a Pena?
- Opção 1 — Financiamento de Equipamentos Pesados pelo Banco Santander
- Opção 2 — BNDES Máquinas e Equipamentos: Como Funciona na Prática
- Opção 3 — Sicredi: Financiamento de Máquinas Usadas e Importadas
- Antes de Pedir Crédito para Comprar Máquinas, Entenda Isso
- Qual é a Melhor Linha de Crédito para Empresas no Seu Perfil?
Todo empresário que atua na construção civil, no agronegócio ou na escavação sabe que máquina parada é dinheiro perdido — e máquina que você não tem é contrato que você não fecha. O problema não costuma ser a falta de oportunidade. O problema é não saber como acessar o financiamento de máquinas e equipamentos certo para colocar o negócio em outro patamar.
A boa notícia é que existem três linhas de crédito específicas para financiamento de máquinas e equipamentos que a maioria dos empresários simplesmente desconhece: Santander, BNDES e Sicredi. Cada uma funciona de forma diferente, atende a perfis distintos e tem condições próprias.
Neste artigo, você vai entender como cada opção funciona, para quem ela é indicada e o que você precisa ter em ordem antes de ir ao banco — em linguagem direta, sem enrolação.
Por Que Investir em Máquinas e Equipamentos Pesados Vale a Pena?
O negócio que raramente deixa a máquina parada
Setores como construção civil, escavação e agronegócio têm uma característica que poucos negócios possuem: demanda constante. Sempre há uma obra para tocar, um terreno para preparar, uma safra para colher. Isso transforma máquinas pesadas em ativos produtivos de alta performance.
Esse cenário de demanda constante é justamente o que torna o crédito para esse setor um caminho viável: a máquina trabalha, fatura e, com o tempo, contribui para cobrir o próprio financiamento — e ainda gera resultado por anos.
Isso não significa romantizar o investimento. Todo ativo precisa ser calculado com cuidado. Mas o ponto central é este: o crédito existe justamente para tornar esse cálculo mais favorável ao empresário, aumentando sua capacidade operacional sem exigir que ele desembolse tudo de uma vez.
A barreira que impede a maioria de avançar
A principal barreira para quem quer crescer não é o preço das máquinas — é o desconhecimento das linhas de crédito disponíveis. Muitos empresários ainda acreditam que precisam de capital próprio para comprar equipamentos caros. Esse é o mito central.
O crédito empresarial existe para que você possa adquirir ativos que vão gerar receita — e usar essa receita para pagar o próprio financiamento ao longo do tempo. Isso é o que as linhas de crédito empresarial permitem fazer.
Existe saída. E há três opções reais, acessíveis e com condições diferentes esperando por você. Vamos a cada uma delas.

Opção 1 — Financiamento de Equipamentos Pesados pelo Banco Santander
Quem pode solicitar esse financiamento?
O Santander opera essa linha para pessoas jurídicas — ou seja, empresas com CNPJ ativo. Um dos primeiros pontos analisados pelo banco é o CNAE da empresa, que é a classificação oficial das atividades econômicas registradas no cartão do CNPJ. Ele indica o ramo de atuação do negócio e é usado para verificar se a atividade da empresa é compatível com o tipo de máquina ou equipamento que se pretende financiar.
Outro requisito importante: é obrigatório ter conta corrente PJ no Santander — ou abrir uma. As parcelas do financiamento são debitadas automaticamente nessa conta, sem exceção.
Condições do financiamento — 100%, 48 vezes e débito automático
Esta é uma das condições mais competitivas do mercado: o Santander oferece financiamento integral, ou seja, pode financiar até 100% do valor do bem, dependendo da análise de crédito. Isso significa que, em muitos casos, o empresário não precisa dar entrada.
O parcelamento pode chegar a 48 vezes — quatro anos para pagar — o que dilui o impacto no fluxo de caixa mensal do negócio.
Um detalhe importante sobre o funcionamento: o crédito não é depositado na conta do comprador. O banco paga diretamente ao vendedor do equipamento. Isso acontece porque o banco precisa garantir que o dinheiro será usado exatamente para a finalidade declarada — é uma proteção tanto do banco quanto do processo como um todo.
O que pode ser financiado pelo Santander?
A linha do Santander é bastante abrangente. Os bens financiáveis incluem:
- Máquinas industriais, agrícolas e de construção
- Equipamentos pesados
- Embarcações
- Aeronaves
Essa amplitude torna o Santander uma opção versátil para diferentes perfis de negócio, não se limitando apenas ao setor de construção civil. Qualquer empresa que necessite adquirir um bem de grande valor pode avaliar essa linha como ponto de partida.
Opção 2 — BNDES Máquinas e Equipamentos: Como Funciona na Prática
O que é o BNDES e por que você não vai direto até ele?
O BNDES — Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social — é um banco de fomento público federal criado para financiar o desenvolvimento da economia brasileira. Ele oferece algumas das taxas mais competitivas do mercado justamente porque tem uma missão de desenvolvimento, não apenas comercial.
Mas há um ponto crítico que precisa ficar claro: o BNDES não atende empresários diretamente. Para acessar o crédito do BNDES, o empresário precisa procurar um banco credenciado — um banco autorizado pelo BNDES a operar suas linhas como agente financeiro.
Uma analogia que facilita o entendimento: o BNDES funciona como um fornecedor de recursos, e os bancos credenciados são os distribuidores que chegam até você. O Sicredi é um dos bancos credenciados — há outros, que você pode consultar diretamente no site oficial do BNDES (bndes.gov.br).
Um aviso importante: nem todo banco digital é credenciado para operar linhas do BNDES. Antes de tentar por esse caminho, confirme no site oficial se a sua instituição é um agente financeiro autorizado — para evitar perda de tempo no processo.
Quem pode solicitar crédito do BNDES?
Qualquer empresa com sede e operação no Brasil pode solicitar crédito do BNDES, independentemente do porte. O que muda conforme o porte é o limite de crédito disponível.
Esses limites são baseados na receita bruta anual da empresa, seguindo a mesma classificação do Simples Nacional:
| Porte da Empresa | Receita Bruta Anual | Limite de Crédito BNDES |
|---|---|---|
| Microempresa | Até R$ 360 mil | Até R$ 360 mil |
| Pequena empresa | De R$ 360 mil a R$ 4,8 milhões | Até R$ 4,8 milhões |
| Média e grande empresa | Acima de R$ 4,8 milhões | Negociado com o banco credenciado |
O empresário pode identificar seu porte pelo faturamento anual declarado. Essa classificação define o teto de crédito disponível — e é o primeiro dado que o banco credenciado vai pedir.
Quais máquinas podem ser financiadas pelo BNDES?
Aqui está a principal limitação do BNDES: ele financia apenas máquinas e equipamentos fabricados no Brasil e que estejam cadastrados no sistema do BNDES como itens credenciados.
O programa mais utilizado para esse fim é o BNDES Finame — uma linha específica para aquisição de máquinas e equipamentos de produção nacional. Se a máquina desejada for importada ou não estiver na lista de itens credenciados BNDES, essa opção simplesmente não se aplica.
A orientação prática é simples: antes de ir ao banco credenciado, acesse o site oficial do BNDES e verifique se o equipamento que você quer comprar está na lista de produtos financiáveis. Isso evita reuniões desnecessárias e frustrações no meio do processo.

Opção 3 — Sicredi: Financiamento de Máquinas Usadas e Importadas
O que é o Sicredi e como ele funciona diferente de um banco?
O Sicredi não é um banco tradicional — é uma cooperativa de crédito. A diferença fundamental é esta: em uma cooperativa, os associados são donos do negócio. Isso muda a lógica das taxas e das condições, porque o objetivo não é maximizar o lucro da instituição, mas oferecer as melhores condições possíveis a quem faz parte dela.
Para acessar o crédito do Sicredi, o empresário precisa se tornar associado — o processo é simples e pode ser realizado nas agências da cooperativa. Após a associação, o acesso às linhas de crédito segue o mesmo fluxo de qualquer banco.
O Sicredi opera tanto linhas de crédito próprias quanto linhas do BNDES, funcionando também como banco credenciado. Ou seja, em uma única cooperativa, o empresário pode acessar as condições diferenciadas da cooperativa e, ao mesmo tempo, a estrutura de fomento do BNDES.
A vantagem exclusiva — máquinas usadas também são financiadas
Este é o maior diferencial do Sicredi em relação às outras duas opções: ele financia máquinas usadas, além das novas. E isso muda tudo para um empresário em fase inicial de expansão.
Santander e BNDES (via Finame) financiam predominantemente máquinas novas. O Sicredi abre a porta para quem quer começar com um equipamento de segunda mão — geralmente mais acessível e com menor custo de entrada.
Além disso, o Sicredi financia máquinas importadas — sem a restrição de fabricação nacional que o BNDES impõe. Esse combo — usado + importado — torna o Sicredi a alternativa mais flexível para empresas menores ou para quem está testando o mercado antes de escalar.
Para quem o Sicredi faz mais sentido?
O Sicredi é a opção mais indicada para três perfis específicos:
- Empresas com menor capacidade de pagamento que precisam de um equipamento mais acessível
- Empresários que querem começar com uma máquina usada antes de investir em equipamento novo
- Negócios que precisam de máquinas importadas que não constam na lista do BNDES

Antes de Pedir Crédito para Comprar Máquinas, Entenda Isso
O que é o rating de crédito e por que ele decide tudo?
O rating de crédito — também chamado de score empresarial — é a nota que os bancos atribuem à saúde financeira de uma empresa. Ele determina três coisas ao mesmo tempo: se o crédito será aprovado, qual taxa de juros será aplicada e qual limite será liberado.
Na prática, o banco analisa o histórico de pagamentos da empresa, o faturamento, as dívidas existentes e o tempo de operação. Com base nessa análise de risco, atribui uma nota. Quem tem nota alta consegue crédito com condições melhores. Quem tem nota baixa, ou não consegue crédito, ou paga mais caro por ele.
O ponto que precisa ficar gravado é este: independentemente de qual das três opções você escolha — Santander, BNDES ou Sicredi — o rating é o primeiro filtro. Sem ele em ordem, nenhuma das portas abre.
O que prejudica o rating da sua empresa?
Antes de ir a qualquer banco, é fundamental entender o que pode estar travando a aprovação do seu crédito. Os fatores mais comuns são:
- Dívidas em aberto no CNPJ — protestos e negativações eliminam a chance de aprovação
- Faturamento inconsistente ou não declarado corretamente — o banco precisa ver receita real e comprovável
- Tempo de abertura muito curto — empresas com menos de um ano têm mais dificuldade para conseguir crédito
- Sócios com CPF negativado — o rating dos sócios impacta diretamente o rating da empresa
- Conta corrente PJ inativa ou com movimentação irregular — sinal de empresa sem atividade real
A recomendação prática é verificar a situação do seu CNPJ nos principais bureaus de crédito antes de ir ao banco. Esses serviços mostram a situação atual do seu CNPJ e indicam o que precisa ser resolvido antes de qualquer solicitação de crédito.
Leia também
- Rating Bancário: O Que o Banco Analisa Para Aprovar ou Negar Crédito
- Segredos Bancários: Como Pequenas Empresas Conseguem Crédito BNDES de R$ 85.000
- Sicredi vs. Bancos Físicos: Por que a Cooperativa ganha na briga pelas Taxas de Juros
Qual é a Melhor Linha de Crédito para Empresas no Seu Perfil?
Não existe uma resposta universal. Existe a opção certa para cada perfil de empresa — e a tabela abaixo ajuda a identificar qual caminho faz mais sentido para o seu caso:
| Critério | Santander | BNDES (via credenciado) | Sicredi |
|---|---|---|---|
| Financia máquinas usadas? | Não | Não | Sim |
| Financia máquinas importadas? | Sim | Não | Sim |
| Financia 100% do valor? | Sim | Parcial (varia) | Varia |
| Parcelas | Até 48x | Varia por programa | Varia |
| Exige conta PJ? | Sim (Santander) | Não obrigatório | Sim (Sicredi) |
| Quem atende? | Qualquer PJ | PJ sediada no Brasil | Associados Sicredi |
| Melhor para | Quem quer rapidez e condição integral | Quem quer taxa subsidiada e máquina nacional | Quem quer máquina usada ou importada |
A leitura da tabela já deixa claro o caminho para cada perfil:
- BNDES: melhor para máquina nova, nacional e com taxa subsidiada — desde que o equipamento esteja na lista do Finame.
- Santander: ideal para quem quer financiar 100% sem entrada com agilidade de banco privado.
- Sicredi: a escolha mais flexível para quem precisa de máquina usada ou importada com menor custo inicial.
O denominador comum entre as três é sempre o mesmo: rating de crédito. Sem uma situação financeira minimamente organizada no CNPJ, nenhuma das opções vai funcionar — independentemente de qual você escolha.
Próximo Passo
Você agora conhece as três opções reais para o financiamento de máquinas e equipamentos: Santander, BNDES e Sicredi. Cada uma tem um perfil ideal, condições específicas e critérios de acesso diferentes.
O maior erro que um empresário pode cometer nesse momento é ir ao banco sem saber qual linha pedir — e sem ter o rating em ordem. Isso gera recusas desnecessárias, prejudica o score do CNPJ e fecha portas que poderiam estar abertas.
Antes de qualquer reunião com banco, o primeiro passo concreto é este: consulte a situação do seu CNPJ. Verifique o rating da sua empresa nos bureaus de crédito, organize a documentação e entenda em qual porte de empresa você se enquadra. Só depois disso, com clareza sobre seu perfil e sua situação de crédito, você vai ao banco com segurança — sabendo exatamente qual linha pedir e com muito mais chance de aprovação.
O crédito para comprar máquinas existe. As condições são reais. O que faltava era a informação certa. Agora você tem.




